quinta-feira, dezembro 20, 2012

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E ainda...


Ainda que eu falasse a língua dos filósofos e dos físicos,
E ainda que eu soubesse fender o átomo,
E ainda que eu unificasse as teorias,
E ainda que eu visse o que há após o universo,
Nada disso me aproveitaria se eu não soubesse ensinar.
(Israel G. de Oliveira)

segunda-feira, junho 07, 2010

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Sou criacionista

Sou criacionista porque os fatos não me possibilitam crer diferente.
Sou criacionista porque, quando olho para o milagre da vida, eu me convenço da existência do Criador.
Sou criacionista porque pensar diferente disso exige de mim muito mais fé do que preciso para crer em Deus e em Seu poder criador.
Sou criacionista porque a ciência experimental me diz que nem todos os bilhões de anos atribuídos ao Universo seriam suficientes para fazer a vida surgir espontaneamente.
Sou criacionista porque, pensando assim, encontro respostas para outros conflitos da vida.
Sou criacionista porque Newton, Pascal, Dalton, Copérnico, Galileu, Kepler, Pasteur e outros fundadores da ciência moderna também eram criacionistas.
Sou criacionista porque a ciência nunca conseguiu produzir, mesmo no mais equipado dos laboratórios, qualquer forma de vida, por mais simples que seja, nos moldes defendidos pelo evolucionismo.
Sou criacionista porque acreditar que milhares de formas de vida tão complexas passaram a existir "por acaso" seria absurdo para qualquer pesquisador.
Sou criacionista porque é lógico.

(Mario César Lira, diretor da Escola Adventista de Feira de Santana BA)

domingo, maio 16, 2010

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Ao ateu.

"Nem tu, nem teus companheiros sois os primeiros nem os únicos que tendes semelhante opinião da Divindade, mas em todos os tempos, ou mais, ou menos, sempre houve quem estivesse afetado dessa enfermidade. Travei conhecimento com muitos deles, e por isso vos digo que nenhum do que na sua mocidade negou a existência de Deus manteve semelhante opinião até a velhice.

Aconselho-te, pois, agora, a não ousares cometer algum ato impiedoso contra a Divindade. Antes de proferires uma palavra contra Deus, medita três e dez vezes; porque chegará o dia (e chegará breve) em que o escárnio expirará em teus lábios trêmulos; virá o dia em que precisarás de Deus e da sua eterna verdade para a tua alma aflita, vazia e trespassada pela dor".

Platão (427-348 a.C.), filósofo grego, discípulo de Sócrates, dirigindo-se a um ateu contemporâneo seu.

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Antes de haver transformação em matéria, tudo era apenas energia bruta (sem forma e vazia - gn 1:2a).

A ciência primeiro dizia que era impossível transformar energia em matéria. Sustentavam também que o átomo era a menor partícula que existia e não podia ser dividido.

Hoje você aprende nas escolas que o átomo é divisível.

"Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11:3).

Quando Albert Einstein surgiu com sua surpreendente descoberta a respeito da relação existente entre energia e matéria, ele estava inteiramente de acordo com o relato da criação. A relatividade existe desde o princípio, antes mesmo que o homem aparecesse para inventar ciência e matemática.

No início, quando Einstein apresentou sua fórmula E=MC2 (“Energia é igual a massa vezes a velocidade da luz quadrado”), ninguém acreditou nele. Os cientistas balançaram a cabeça e disseram: - Bem, este sujeito está louco! Ele diz que se pode transformar energia em matéria à velocidade da luz ao quadrado, mas nós sabemos que isso é impossível. Energia não pode ser transformada em matéria.

Hoje o mundo científico sabe como transformar estruturas atômicas e, transformar energia em matéria. Ou seja: "O homem pode, mas é impossível um Deus criador fazê-lo!", segundo eles.

Se você partir da descoberta de Einstein verá que a Bíblia tem razão. Deus falou ao caos de energia “sem forma e vazia”, “Haja Luz!”, A energia na velocidade da luz ao quadrado (aproximadamente 90.000.000.000 de quilômetros por segundo) transformou-se em matéria e o mundo passou a existir.



Você já parou para pensar sobre o fato de que havia luz (Gn 1:3) antes da criação do sol e da luz (Gn 1:14-18)? A luz era Jesus. Ele declarou ser a luz do mundo, dizendo também que estava com Deus no princípio (Jo 1:1-3). No livro do Apocalípse, Ele será a luz que nos sustentará para toda a eternidade (Ap 21:23).

domingo, maio 09, 2010

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Parecer sobre o PCN de Biologia para o Ensino Médio.

Por Israel Gonçalves de Oliveira, licenciando em Física pela UFRGS.


Meu parecer sobre o PCN de Ciências Naturais, Matemática e suas Tecnologias, mais especificamente a parte de Biologia, do Ensino Médio, tem como principal objetivo evidenciar questões que são pertinentes aos tempos atuais e que são deliberadamente manipuladas nesse PCN para a defesa de uma crença específica, de apenas uma ideologia. Algo que, bem sabemos, não deve ser permitido em um PCN, o qual deve privilegiar o livre questionamento. Bem sabemos que atualmente há uma discussão acirrada entre duas ideologias bem conhecidas e com grande contingente de adeptos, são elas a ideologia naturalista, que visa apenas o natural, sendo descartada toda e qualquer hipótese ou argumentação que remeta direta ou indiretamente ao supernatural, e as ideologias teístas entre elas estão as teologias mais conhecidas (cristianismo, judaismo, islamismo, espiritismo, catolicismo etc) e suas derivações. Tal discussão é evidentemente evitada pela Grande Mídia brasileira e em centros universitários. Contudo, o que é percebido é que sempre que é aberto algum espaço para tal discussão, os que possuem a oportunidade de explanação são sempre os naturalistas. Essa proteção ideológica é refletida nas escolas, onde, apesar da maior flexibilidade por parte dos estudantes adolescentes, há uma forte blindagem por parte dos professores naturalistas para a extinção de qualquer possível diálogo alternativo.


  1. Importante explicação sobre métodos na ciência, a importância do levantamento de questões, a criticidade.

  2. No primeiro parágrafo da página 15, disserta que a vida apenas pode ter origem natural (acaso, acidente, ordem intrínseca na própria constituição da matéria, sendo essa última muito pouco aceita), não dando espaço para o supernatural. E ainda cita a importância do debate e questionamento filosófico, sendo isso uma contradição.

  3. Interessante o que foi dissertado sobre a interdisciplinaridade, mas apenas para algumas áreas. As áreas mais importantes que deveriam ser levadas em conta a interdisciplinaridade é quanto a origem da vida e a origem das espécies.

  4. Contradições na página 17, último parágrafo: as evidências e os estudos recentes em Paleontologia, Embriologia, Genética e Bioquímica estão agregando dificuldades teóricas as hipóteses de Oparin-Haldane e de Charles Darwin. As contra evidências são tantas que a seleção natural foi abandonada, dando origem a um novo conjunto de hipóteses que ainda está em construção (já há alguns anos) chamada Síntese Evolutiva Ampliada (ou em termo mais usual, neodarwinismo). Quanto a origem da vida, também há novas publicações a respeito, mas nenhum passo significativo foi dado para a corroboração de Oparin-Haldane. Também é importante ressaltar que o texto comenta sobre a macro evolução (mutação genética com surgimento de informação, especiação) como uma necessidade de entendimento e visão sem que essa esteja em nível de teoria científica. Atualmente essa é uma hipótese muito criticada.

  5. A partir de então, o texto disserta sobre Zoologia e Botânica do ponto de vista evolutivo, o que sabemos não é necessária para o entendimento dessas áreas. Segue dissertando sobre as espécies do ponto de vista evolutivo.

  6. Quanto a Citologia, deveria ser comentada sobre as hipóteses atuais sobre a complexidade da vida, sobre sistemas da ordem de tamanho celular que possuem uma complexidade irredutível. Temos como a mais conhecida a Teoria do Design Inteligente (desenho, projeto inteligente). A qual possui como hipótese a existência de um projetista e que a complexidade observável tem um objetivo. A teoria não disserta sobre o Projetista. Tal teoria é baseada no argumento do Relojoeiro.

  7. Há uma recomendação inaceitável por parte do autor que é na área de Embriologia: se ater apenas para a espécie humana, pois segundo texto “não é necessário conhecer o desenvolvimento embrionário de todos os grupos de seres vivos para compreender e utilizar a embriologia como evidência da evolução”, pois a Embriologia não fornece evidências para a evolução. O desenvolvimento embrionário evidencia que há muitas diferenças quando é comparado os embriões de diferentes grupos de espécies. Essa parte do PCN demonstra claramente uma desonestidade intelectual para com os alunos do Ensino Médio.

  8. Um parágrafo que me pareceu bem interessante foi o último da página 19: “Mais do que fornecer informações, é fundamental que o ensino de Biologia se volte ao desenvolvimento de competências que permitam ao aluno lidar com as informações, compreendê-las, elaborá-las, refutá-las, quando for o caso, enfim compreender o mundo e nele agir com autonomia, fazendo uso dos conhecimentos adquiridos da Biologia e da tecnologia”.

  9. No penúltimo parágrafo do texto, há delimitado alguns objetivos importantes, entre eles estão as relações entre homem e natureza, fazendo-se necessária a preocupação com o bem estar de ambos, o equilíbrio e a sustentação mútua.

  10. Nesse mesmo parágrafo, também é indicado que deve ser compreendida a origem das espécies como um processo evolutivo sem que esse seja cientificamente comprovado (ser científico). Esse ponto deve ser visto apenas como uma sugestão (hipótese) e não como um fato.

O único ponto que este PCN peca é quanto a origem da vida e das espécies, por ter implicações ideológicas e filosóficas, sofre forte influência naturalista e pouco é dado a crítica. Por isso recomendo a urgente inserção de outras hipóteses de outras ideologias nesse PCN, para que os alunos de ensino médio não sofram esse prevalecimento ideológico e cientificista. Percebe-se que esse ponto é o único ponto que não deve ser criticado, segundo o autor, e isso vai contra ao que o próprio autor disserta a respeito do livre questionamento e crítica, tanto de carácter filosófico, tanto de carácter científico. Também não podemos esquecer que grandes movimentações culturais historicamente prejudiciais para o coletivo, tais como as ditaduras fascistas, comunistas, perseguições a um ou mais grupos étnicos ou religiosos, movimentos para exclusão ou detrimento de minorias (por ex., a Eugenia) nasceram através de blindagem de certas ideologias, fazendo uso, inclusive, de meios escusos para tal. O pensamento crítico e o livre debate são nossos escudos e armas. Que façamos o bom combate!

domingo, abril 25, 2010

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Educação, Direitos, Cidadania e Brasil

Por Israel Gonçalves de Oliveira.

Conhecimento é poder. Poder para o quê? Poder de discernimento: saber o que está acontecendo de errado, como arrumar. Poder para argumentar: argumentos bem elaborados dificilmente são ignorados. Poder para mudar: poucos querem que o status quo se altere e o acesso ao conhecimento é estratégico. O quanto foi difícil e longo o caminho para que a educação fosse significativamente abrangente no brasil. Foram necessárias muitas lutas, disputas, negociações por direitos, por respeito as necessidades básicas de qualquer pessoa. O que temos hoje ainda não é o ideal. É utópica a concretização do ideal de cidadania que temos em mente, nos papéis, na teoria e na lei. Garantir o acesso, vagas, e até recursos não asseguram qualidade, que vai muito além da estrutura, mas, também, com os recursos humanos: professores, administradores, os educadores.

Segundo José M. De Carvalho, o processo de formação da cidadania no Brasil foi acentuada após o fim da ditadura, com a esperança de uma reconstrução mais democrática, menos elitizada, mais abrangente, mais popular. Contudo não foi bem isso que ocorreu, houve uma ingenuidade nesse entusiasmo, uma vontade muito forte, mais sonhadora do que deveria ser. Pensava-se que com a democratização da política poderíamos guiar as questões sociais com mais facilidade e para um fim mais popular. Teríamos melhor distribuição de renda, mais segurança, melhor educação, através de políticas populares, criadas pelos representantes do povo. O que aconteceu não foi bem assim, infelizmente não houve uma democratização real da política, elegemos candidatos indicados, escolhidos por uma minoria. Vivemos uma polaridade entre lados nada antagônicos, eleger um de um lado é praticamente a mesma coisa que eleger o outro do outro lado. A diferença maior se dá mesmo no nível elitizado, entre grandes empresários e banqueiros; qual grupo ganhará mais e terá mais poder.

Entendemos a diferença entre acesso e qualidade da educação. Após o fim da ditadura, houve um crescimento no acesso ao ensino em vários níveis, especialmente o básico. Contudo a qualidade não evoluiu tanto quanto deveria. Os níveis de repetência e evasão ainda são altos e o acesso a universidade púbica continua desagradavelmente elitizado. Os problemas são diversos: desvio de recursos, poucos recursos, estrutura precária, material didático de péssima qualidade, falta de segurança nas escolas, salários baixíssimos para os educadores e administradores escolares, baixa auto estima, políticas educacionais pouco eficazes etc. Apesar das tentativas, dos diversos encontros entre educadores, articuladores políticos, vemos uma tentativa política mínima para a reparação do ensino. Temos os planos de ensino, as leis vigentes, entre outras medidas para a resolver os problemas e tentar aumentar a qualidade da educação, mas ainda falta fiscalização, aplicação eficaz e efetiva dos recursos, melhora nos salários e motivação da população para a mudança.

As desigualdades no ensino e sua precariedade são altamente prejudiciais, citando Jorge A. de Castro, “ser este um dos principais problemas que potencializam a manutenção das enormes desigualdades sociais enfrentadas pela população brasileira”. Segundo esse autor, é um desafio aos políticos da educação “ o de repensar os atuais programas de alfabetização de adultos para torná-los mais efetivos e, em seguida, realizar a ampliação de sua cobertura” e “acelerar o acúmulo de escolarização da população, o que implica a ampliação do acesso e da permanência da população nas escolas, em todos os níveis e modalidades”. O acesso está com um bom nível de democratização mas a formação está longe de ser o que se espera. Temos um grande prejuízo financeiro e de tempo em vermos tantos jovens se “perdendo” em sua formação. Políticas mais eficazes, melhor fiscalização, empenho por parte das autoridades e da sociedade é o necessário para tais questões.

Atualmente, a estrutura do ensino brasileiro está dividido em três níveis de competência: municipal, estadual e federal. Basicamente a obrigação pela criação e manutenção de escolas de ensino médio e fundamental são dos estados e dos municípios, sendo a obrigação do governo federal a de repassar verba e gerenciar o ensino de nível superior. Contudo, há uma tentativa de passar a gerência de escolas de nível fundamental, pré-escolas e creches para os municípios e as escolas de nível médio para os estados. Com o Fundeb, a gerência e a distribuição de verbas mudaram significativamente, segundo está no endereço eletrônico do MEC: “O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) atende toda a educação básica, da creche ao ensino médio.“; “A estratégia é distribuir os recursos pelo país, levando em consideração o desenvolvimento social e econômico das regiões — a complementação do dinheiro aplicado pela União é direcionada às regiões nas quais o investimento por aluno seja inferior ao valor mínimo fixado para cada ano. Ou seja, o Fundeb tem como principal objetivo promover a redistribuição dos recursos vinculados à educação“.

Através dessa e outras políticas, principalmente com as mudanças geradas pelo PNE (Plano Nacional de Educação), vemos mudanças significativas em todos os níveis de ensino. As mais fortes se deu no acesso, como já citado, e pouco em sua qualidade. Ainda há uma política muito tímida pra reforma dos planos de carreira, pisos salariais, planos curriculares melhor diversificados e atualizados conforme região, entre outros itens importantes que deveriam ser repensados e retrabalhados em todos os níveis e competências, dentro das escolas, administradores e educadores, dentro dos meios políticos com deputados, senadores e ministros.

Segundo a constituição brasileira, é direito social o acesso a educação, é dever da União legislar sobre as diretrizes e bases da educação, e é competência comum entre a União, Estados, DF e Municípios proporcionar os meios de acesso a cultura, a educação e a ciência, independente do nível de ensino.

No capítulo 3, seção I, artigo 206, dita sobre a base de ministração do ensino nos seguinte princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; V - valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas; VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei; VII - garantia de padrão de qualidade; VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. De fato, essa base, essas características, que deveria ser garantidas pelo estado não o é de fato. Contudo parte desses itens deveriam ser iniciativa direta dos educadores e administradores na escola. Nisso vemos o quão importante é termos profissionais estimulados, bem remunerados, seguros em sua profissão e escolha. Outras características são dependentes diretamente dos recursos materiais e estruturais da escola, dependendo do recebimento de verbas e de uma boa administração desses recursos. O que acontece de fato em nosso pais é que na maioria das escolas as melhorias vem de recursos próprios, de campanhas de arrecadação junto a comunidade local, para que, além da manutenção possa ser feito investimentos e melhorias. Infelizmente isso é uma prática comum e antiga por parte das escolas, pois muitas dessas recebem apenas o necessário para manutenção, muitas vezes com atraso ou nem recebem. Há algumas características essenciais que muitas escolas públicas não têm, e muitas dependem grandemente do apoio da comunidade local. Se esperarmos pela iniciativa das autoridades e do cumprimento de seus deveres, pouco se é feito. Uma comunidade precisa de escola não apenas para formar e diplomar, mas enriquecer a cultura, melhorar a qualidade de vida, proporcionar atividades saudáveis para seus jovens e ajudar a diminuir a marginalização.

Outro item a ser verificado é o artigo 214 (cap. 3, seção I), que se refere ao PNE. Novamente, é abordada as questões e problemas principais do ensino. Esses são: I - erradicação do analfabetismo; II - universalização do atendimento escolar; III - melhoria da qualidade do ensino; IV - formação para o trabalho; V - promoção humanística, científica e tecnológica do País; VI - estabelecimento de meta de aplicação de recursos públicos em educação como proporção do produto interno bruto. De fato, pouco o ensino atual direciona para o mercado de trabalho, é muto comum o direcionamento para o vestibular da universidade pública mais próxima. Pouco também é direcionado para uma das mais importantes: desenvolvimento humanístico, científico e tecnológico. Vemos em nossa sociedade a forte influência da Grande Mídia, com seus vícios, seu consumismo, sua hipocrisia e filosofias sofistas e demagógicas. Como dever dos educandos, o pensamento crítico deve ser exercitado em sala de aula, mas para isso precisamos de educadores preparados, bem formados e com boa auto estima. Tais profissionais, por serem tão bem preparados procuram, obviamente, o ensino privado, devido a melhores salários e condições de trabalho. Ficamos, então, com uma classe de professores menos preparados e qualificados para atender e promover o que é desejável e dito na constituição. Lembrando, claro, que há exceções, contudo são poucos os professores com as tais características.

Infelizmente, a democracia não foi o que esperávamos. A corrupção é o principal problema que enfrentamos, pior que qualquer outro problema social. Pois o recurso público que é desviado, poderia salvar outras tantas vidas em hospitais precários, com recursos nas escolas pra manter os jovens longe do crime, melhoramento das condições de saneamento e higienização nas comunidades carentes e entre tantos outros investimentos necessários e urgentes. Pior crime é o da corrupção política, pois além de ser uma traição contra o próprio povo, é um assassinato indireto. Deveria ser considerado crime hediondo e inafiançável. Muitos deixam de estudar para entrarem no lucrativo e arriscado mundo do crime porque as escolas estão precárias e sucateadas, com professores mal pagos; muitos estão morrendo em filas de hospitais por falta de recursos para atendimento desses; muitos brasileiros não vivem, mas sobrevivem.

Página infeliz da nossa história que custa a passar, passagem latente na memória dessa e doutras gerações. Ainda dorme nossa pátria mãe, tão distraída, nem percebe que é subtraída em tenebrosas transações. Enquanto isso, nós, seus filhos, berramos cegos pelo continente, levamos pedras feito penitentes. Mas há um dia que, em fim, temos direito a uma alegria fugaz, uma ofegante epidemia que se chama carnaval. Vivemos uma eterna política, não do Café com Leite, não do Ouro com Açúcar, nem do Gado com Soja, mas do Pão e Circo. Mais especificamente, no Brasil, Pão e Bola.

Para aquelas que acreditam, esperem em Deus.

Disse, Jesus: “Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (João 16.33).

domingo, março 28, 2010

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Qual a escola que eu não quero conservar, Prá tentar ser feliz?

Resenha do texto A Escola Como Espaço Sócio-cultural.


Por Israel Gonçalves de Oliveira.


Muitas são os questionamentos a respeito da escola atual por parte dos jovens que as frequentam Quem mais do que esses mesmo para falar de algo que conhecem muito bem? Esses não vivem durante anos consecutivos participando ativamente, diariamente nesse ambiente? Estaria a escola atual indo para um fim? O que precisa ser mudado e o que está bom?

Muitos jovens dizem que não há muito ensino útil nas escolas. E concordo! Muitos assuntos são ensinados de forma preguiçosa, negligenciada, decorada, pouco discutida. Muitos assuntos são dados como “aprenda exatamente isso, assim, e tu vais passar de ano”. Vivemos um ensino bancário: estude para ter nota o suficiente para passar de ano, para passar em algum vestibular, no ENEM etc. Estudar para aprender algo é pura perda de tempo! Não importa o quanto é interessante o assunto, na verdade o que é interessante hoje em em dia é o que vai ser cobrado na prova e principalmente o que será cobrado nos vestibulares das universidades públicas. E o aprendizado para vida, para desenvolvimento de raciocínio lógico, abstrato, social, relacional fica de lado e em primeira ordem temos o adestramento escolar para os vestibulares e concursos.

E é isso mesmo que muitos alunos pedem e exigem, querem ditar o que o professor deve ensinar em sala de aula. E a questão é que eles não sabem o que é melhor para eles. E nós (educadores) sabemos? Deveríamos saber! Devemos mostrar o quão importante é o ensino crítico, diversificado, instrutivo. Devemos colocar a discussão o que é visto no cotidiano. Devemos trazer para dentro da sala de aula o que esses alunos vivem, a cultura, o que já sabem. Devemos construir junto e a partir do conhecimento existente em cada aluno. Devemos ensinar o pensamento crítico em todas as áreas, o social nas ciências sociais, o ceticismo em ciências exatas, ajudá-los a construir as demais ciências humanas a partir do que já fora construído e mostrar o que deve ser ajustado e por que.

Impor ao aluno o que ele deve aprender ou não sem um mínimo de explicação é demonstrar falta de compromisso com a necessidade de aprendizado do aluno. Fazer o aluno ir por um caminho sem dizer em que lugar ele deve ir é querer que ele ande devagar e cego, sem saber o que está por vir. Quando mostramos o que queremos, quais os nossos objetivos, como será esse caminho, mostrando que tudo isso é para ele, é por ele e ele é o maior beneficiário, ele se sente parte dessa empreitada. Isso dá ao aluno uma sensação de importância, dá a ele um lugar, não abaixo, nem a cima, mas como parte importante do ensino e aprendizado. Caso contrário, ele se vê apenas como uma peça a mais em um sistema cheio de engrenagens “importantes” que giram em torno de si mesmas.

Vejo em minhas experiências em escolas que muitos professores se acomodam, não querem se “incomodar”. Nisso vão aderindo aos poucos ao ensino bancário, vencido pelos alunos que lutam para manterem passivos. Pois tais alunos se acostumaram tanto em apenas olhar e escrever que quando há algo diferente logo se rebelam. Tentar fazer o aluno pensar, hoje em dia, é um grande desafio e risco. Pois eles não estão acostumados.

Lembro de quando dei aula de matemática num pré-ENEM: em minhas aulas explicava a lógica das equações, deduzia algumas, partindo do simples, fazia problemas literais (com “letrinhas”), onde era necessário mais raciocínio lógico e manuseio algébrico que os demais exercícios; fazia os alunos pensar com perguntas chaves, questionava o óbvio e vimos que o óbvio não era tão óbvio assim. Dei aula em duas turmas, uma já tinha começado, era a tarde, o pessoal era mais novo. Noutra era pela manhã, um pessoal mais velho, tinha começado no ínio do curso. Para a minha surpresa, a turma que estava acostumada com o adestramento do ouro professor pediu a minhasaída; alegaram que eu era bom para quem ia fazer UFRGS. Mal sabiam eles que o ENEM daquele ano pediu exatamente (exatamente mesmos!) o que eu dava em aula. Na outra turma, escutava burburinhos, reclamações, críticas dos mais variados tipos. A questão era: quem queria ser adestrado não queria pensar, quem estava lá com sérias dificuldades queria aprender. O mais incrível é que os que demonstravam mais dificuldade demonstravam gostar mais das aulas e quem já era “craque” viviam reclamando do quanto eu “dificultava” a aula. No final das contas todos eles, das duas turmas, viram que eu estava certo. Para mim, valeu a pena? O quê que eu ganhei com isso? Apenas uns dois ou três alunos (de uns 40 e poucos) me deram um parecer após o ENEM: sim professor, tu tinha razão. E o valor que eu receberia se eu não tivesse saído da outra turma? Perdi dinheiro, mas não me entreguei ao adestramento o qual eu condeno. Mas me pergunto hoje se eu não tivesse mantido a minha decisão se aquela renda de professor de cursinho me fosse realmente necessário, na época poderia me dar ao luxo de manter minhas convicções educacionais em detrimento do meu “salário”, mas e quando for confrontado novamente? Conto agora com a experiência: aviso os alunos antes, procuro conscientizá-los que o que farei é o melhor e justifico o por que. Deixo tudo bem explicadinho, peço sugestões, vou ajustando conforme o retorno, a opinião, tendo me moldar, mantendo o equilíbrio entre qualidade de ensino e acessibilidade cognitiva aos meus ensinos.

Não gosto de dar aulas medíocres, não gosto de ensinar “pouca coisa”. Se tenho que dar aula, explico tudo, texto a lógica do que eu ensino, mostro o por quê dos por quês. Não escondo ou deixo algumas coisas mal explicadas. Critico para que o aluno se dê conta de que o que estou ensinando não vem do nada e nada e de que faz parte da vida dele e que será muito importante para ele a curto e longo prazo. Tendo mostrar pro aluno que nem eu e nem ele estamos em uma sala de aula para um perder o tempo do outro.

Outro detalhe importante é quando aos problemas que ocorrem em sala de aula. Hoje em dia é muito comum o professor mandar para o SOE, para a direção, para rua, simplesmente, e ficar por isso mesmo. Achar que isso é suficiente para “punir” o aluno por mal comportamento. E não sou contra a por aluno para fora de sala: se ele está bagunçando, tem mesmo é que colocar para rua, mas, buscar conversar com esse aluno, entrar em um acordo, chamar os pais, ser sincero, explicar que o professor deve zelar pelo ensino dos demais alunos, que esse não tem o direito de prejudicá-los.

Eu sei o que se passa na cabeça de muitos alunos que possuem problemas de disciplina, afinal de contas eu era um deles na minha época de fundamental e médio. Por isso não os ignoro como faziam comigo. Primeira coisa que eu falo é que eu os entendo, declaro que eu era igual ou pior que eles. Assumo que para eles a aula é um tédio, ou sem interesse, sem motivo, digo que sei que eles estão desmotivados. Pelos simples fato de mostrar que o professor entende o aluno, é humilde para assumir que a aula não é tão divertida o quanto ele gostaria e que o professor já foi um aluno “tipo” ele, já é um grande passo para ajudar tal aluno. Tive excelentes experiências com alunos de todos os tipos. Consegui mudar o comportamento de alunos “do fundão”, os bagunceiros, consegui que muitas “patricinhas” deixassem de ficar fofocando em sala de aula, durante a aula, para fazer só após a explicação do professor. Tive muito êxito porque era sincero com meus alunos, mostrava que eu não estava em sala de aula para ficar policiando, enfadando, recriminando, acusando ou qualquer outra agressão contra eles; estava lá para ajudá-los. Estava lá para eles, para ajudá-los a aprender alguma coisa que virá a fazer diferença na vida deles.

É isso que muitos professores precisam ver, precisam mudar para lidar com essa nova garotada cheia de informação e desvios de atenção. A escola não pode tentar manter-se igual as custas de disciplina hipócrita. Devemos levar a sério, devemos ter em mente que tudo que ocorre dentro da sala de aula faz parte do ensino aprendizado. E o professor que se estressa com seus alunos e faz questão de excluí-los e ignorá-los não entende o que seu trabalho é lidar com todo tipo de aluno, não com alunos ideais, alunos projetados durante suas formações em faculdades de educação que apenas teorizam em cima de muita teoria e pouca prática. O aluno real é bem diferente, e os professores que estão nas escolas hoje não são formados para esses alunos.

Uma outra escola é possível.


Domingo, 28 de março, 2010.

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Professores do século XXI para alunos do século XXI.

Resenha sobre o texto Quem são? Que querem? Que fazer com eles? Eis que chegam as nossas escolas as crianças e jovens do século XXI.

Por Israel Gonçalves de Oliveira.

É bem interessante o quanto que a juventude e a infância atual é diferente de antes. Muito diferente! Compará-la com a de algumas décadas já mostra-se uma enorme diferença. Muito diferente de comparar a infância e juventude de, por exemplo, algumas décadas recentes com as do século passado: não há grandes diferenças como hoje.
Entendo como causa principal a individualização da identidade: as pessoas passaram a pensar mais em si mesmo do que no coletivo. Antes o pensamento era muito mais voltado para a tribo, para a comunidade, o feudo, o grupo local, a vila etc, hoje é como se fosse "cada um por si e Deus por todos".
Interessante também, devo comentar, que isso não é de hoje; vemos tal filosofia individualista presente em pequenas e grandes porções nas filosofias antigas, da época dos reinados no Egito, mais difundida entre os que possuíam estudos, ente os gregos e sua considerável importância pelo pensar, pelo falar livremente, pelo teorizar. Do grande trauma vivido pela comunidade judaica e israelita com a vinda do Messias, declarando que o templo, no qual girava a política, a civilidade e a sociedade de um povo, seria destruído e reconstruído dentro de cada crente; até então, era a religião mais forte desse tempo. Jesus, categoricamente, declarou o fim da necessidade da coletividade em torno do templo e de suas diversas e numerosas liturgias, declarando que cada um deveria cuidar de si mesmo, vigiando todos os dias. Se atentarmos a história da humanidade descrita pela Bíblia vemos que Deus guiou o homem para um comportamento individualizado, na verdade, uma relação exclusiva entre Ele e o homem.
Sabendo que não mais era necessária uma preocupação tão grande com o coletivo, sabendo que temos a tendência natural de sermos egoístas, a tendência natural de buscarmos satisfação própria, ao eliminar o peso da coletividade, seja com a vinda do Messias, ou do iluminismo, milhares de anos após, ou com as teorias antropocentristas e somando as pesquisas pseudo científicas de cunho naturalistas, vemos um cenário perfeito para que o homem justifique a si mesmo tornando-o auto suficiente e livre em escolha. Eliminando qualquer peso moral contra isso.
Lembrando que a Bíblia não prega o egoísmo, muito pelo contrário, mas deixou nas mãos de cada crente a escolha e a possibilidade de serem individualistas. Lembrando também que Darwin, Freud, Nietzsche, Marx, entre outros tantos que buscaram outras respostas para grandes questões humanas dentro do próprio homem não tiveram como objetivo o egoismo, individualismos, mas deu-nos um grande entendimento, não absoluto, sobre o próprio homem e suas características intrínsecas de um ser pensante, emocional, criativo e possuidor de livre arbítrio
Então, o que vemos hoje não deveria nos surpreender, pois é lógico que quando damos sustentação intelectual, recurso diversos e justificativa para um comportamento natural que muito era reprimido, temos uma grande explosão, uma libertação. Sabemos que a geração anterior sabe o quanto foi feito para tais liberdades, mas a geração atual já nasce usufruindo de tais "prêmios", dando um valor muito diferente, tendo uma futura geração exigente, como se a conquista fosse um direito, uma obrigação da geração anterior.
A questão principal não é apenas com a escola, no que ela deve fazer para lidar com essa nova geração, mas sim o que os pais estão fazendo para "facilitar" o trabalho da escola. Sabemos, pois, que os pais possuem grande responsabilidade, maior que a escola: deixar seu filho ser educado apenas pela escola é um grande erro. Pais ausentes produzem filhos problemáticos. Entrar nessa onda pós-modernistas e declarar que o que importa é que o filho "aproveite" a vida enquanto é adolescente, enquanto é criança, sendo permissivo, deixando-o ir a festas regradas a drogas (bebidas, entorpecentes etc) e promiscuidade tem como preço a ser pago por todos (o próprio jovem, os pais, os educadores e a sociedade) um adulto neurótico, cheio de valores confusos, de relativismos morais, péssimo formador de opinião e débil em uma gerência familiar.
O profissional da educação, ciente disso, deve se preparar para lidar com esse jovem contaminado pela relatividade moral pregada pela mídia. Se preparar para oferecer-lhe algo que os pais deveriam oferecer: disciplina, motivação adequada, soluções e apoio moral decente. Infelizmente quando um não faz o seu trabalho, sempre cai nas mãos de outros. E é claro que cientes disso, sabendo que podemos ajudar, mesmo que seja um mínimo, não podemos ficar a par disso. No final das contas não importa quem é o culpado quem deveria resolver, mas quem sabe resolver e tem a solução tome a frente e faça algo.
Ter a ideia de que devemos competir com a mídia para tornar o ensino mais atrativo é um grande erro. Não podemos competir com quem produz prazer imediato, com quem dá respostas rápidas e frágeis aos anseios do nossos jovens. Não podemos transformar o ensino em um centro de entretenimento, baixando sua qualidade para que seja mais atrativo. Devemos mostrar a importância do ensino, atrair o aluno de forma que ele não veja o ensino como um "recreio" mas como algo necessário para seu crescimento pessoal e social, como algo que poderá trazer muitas alegrias com o uso e fruto de uma base sólida de conhecimento. Faço uma comparação com a forma como é pregada o evangelho: o evangelho que Jesus pregava era categórico, Ele declarava que não ia ser fácil ser Seu discípulo, que iria passar pro perseguições, por provações, as vezes passar por necessidade, que deveria estudar, buscar conhecimento e sabedoria, ajudar o próximo, buscar ter riqueza de forma estritamente lícita sem colocá-la acima Dele; Ele não permitia que Seus discípulos sentissem vergonha de segui-Lo. Em contra partida, o evangelho pregado hoje é o evangelho da auto-ajuda, da vida fácil, da prosperidade material, da máxima "todos os seus problemas serão resolvidos". O que queremos fazer com a educação? É a mesma coisa: deturpando, podando a parte "chata", mudando para que seja mais atraente, facilitando o que já foi muito facilitado. É um absurdo a forma como os alunos de hoje exigem que seja feita as provas, por exemplo, querem tudo de "barbada", querem cola no quadro, as colas "oficiais", querem tudo pronto, apenas um "copiar e colar".
Qual a minha solução? Que sejamos categóricos, diretos, polêmicos, falando sobre todas as coisas, botando o dedo em todas as feridas, instigando o aluno a ser mais inteligente, buscar sabedoria, buscar conhecimento, levantar questões polêmicas em sala de aula, falar de tabus, criticar o que o senso comum não critica por medo, por estar acomodado, tornar as aulas mais interessantes em qualidade e não em facilidades. Criticar e questionar junto com o aluno e não simplesmente abafar a questão e tratar como se não tivesse sido comentada. Devemos ser honestos, ativos, pois essa juventude é muito ativa.

Domingo, 28 de março de 2010.

quarta-feira, julho 15, 2009

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5 segundos para se arrepender

Israel: homem que luta com Deus.


Quase sempre aprendemos da pior forma possível, e quando não nos resta mais nada para se agarrar, para se apoiar, só então, apelamos para Quem não tínhamos fé. E quando tentamos e acreditamos n'Ele, Ele nos mostra que tudo é possível, para aquele que crê.


Lembro quando minha mãe se converteu, ela frequentava a Igreja Universal, eu tinha 15 anos, e ela começou a falar da Palavra para mim. Desde então passei a pensar a respeito, assistia a uns programas da universal que passavam a noite na TV. Quando comecei a trabalhar, eu tinha quase 17 anos, mas era uma criança ainda e comecei a trabalhar no departamento de telecomunicação da CEEE, cuidando da informática do departamento, uma tarefa bem acima da maturidade que eu tinha. Achando tudo muito estranho e novo, sabendo que se eu deixasse isso nas mãos de Deus e confiasse n'Ele daria tudo certo. Foi isso que fiz, deixei tudo nas mãos d'Ele. Vendo que Ele me ajudou muito nessa área, deixei também meus estudos nas mãos d'Ele. Ele me mostrou que tudo é possível para aquele que crê. O interessante é que eu achava que poderia dar conta com tranquilidade da minha vida pessoal, achava que não precisava de Deus cuidando de coisas íntimas minhas, acreditava que poderia ser um meio-cristão, achava que ainda não era o momento de frequentar uma igreja evangélica. Por durante 8 anos, minha mãe falava da Palavra pra mim, eu assistia o Show da Fé, e aprendia muito sobre a Palavra, mas não dava importância, porque, a princípio estava tudo bem. A questão era que eu não queria deixar de fazer certas coisas, não queria abandonar o pecado, mais precisamente a fornicação, os prazeres da carne. Amava certas coisas do mundo, não entendia que eu precisava de Deus na minha vida pessoal. Enquanto minha vida pessoal ia se afundando em relacionamentos frustrados, relacionamentos casuais entre outras práticas mundanas, minha profissão ia sendo cada vez mais benção. Estranho isso? Muito! Tamanha é a misericórdia de Deus por nós que Ele me deu muitas coisas boas quanto a minha profissão. Continuo não merecendo, tudo que tenho é mediante a graça e favor de Deus. Nem filho de Deus eu era, era uma criatura interesseira.

E a vida seguiu assim, por anos e anos. Fazia promessas de que iria a igreja, mas nunca ia. Colocava condições, quando a condição era cumprida, eu colocava outra. Em 2007 comecei a namorar, meu primeiro namoro sério, tão sério que fiz questão de apresentar a namorada a família (imagina os relacionamentos que meus pais nem sabem que tive). Foi muito bom o namoro, mas muito triste o fim, mesmo sabendo que não daria certo, eu quis começar o namoro. Sempre soube que eu deveria namorar uma crente, Deus me dizia isso, sempre! E sempre fui teimoso. Mas no término desse namoro, que foi em janeiro de 2008, decidi namorar uma cristã. Então me dei conta que para namorar uma cristã, deveria ser cristão. É aí que a coisa começou a complicar, pois eu nem era cristão! Como eu sabia que eu sozinho não conseguiria isso, pedi para Deus para me ajudar a me tornar um cristão, ainda sim, sem crer que eu conseguiria, pedi para Ele me tornar um cristão, me fazer um cristão, de fato! E Ele me disse: Israel, tem que acontecer uma tragédia na tua vida para tu me aceitar. Toda vez que eu orava pedindo para ser cristão, Ele me dizia isso. A voz era minha, mas não era eu quem falava. Durante o ano eu orei algumas vezes sobre isso e vinha sempre a mesma frase. E mesmo pedindo, continuava pecando, e cada vez mais e mais. Só um milagre para me fazer ser um cristão.

Em dezembro de 2008, na penúltima semana do ano, peguei uma virose fraca e estranha, me dava uns ataques de tosse. No final dessa semana já estava melhor, mas a tosse mudou um pouco, e no dia 29, pela manhã, me deu uma disfunção respiratória que trancou a entrada de ar para os pulmões, e isso aconteceu durante a tosse, quando meus pulmões estavam sem ar algum. Em cinco segundos: tinha certeza que iria morrer, tinha certeza que iria para o inferno e me arrependi amargamente dos pecados para os quais eu me entreguei. Nesses momento, nesses cinco segundos, vi que tudo que eu fiz durante meus quase 24 anos foi inútil, tudo que eu fiz não valeu nada, tudo foi em vão. Nesse momento eu daria qualquer coisa por mais uma chance de ser salvo. Esse ataque me ocorreu mais três vezes nessa semana. No dia 2 de janeiro de 2009, fui a Igreja Batista do Passo da Areia, que fica a três quadras de casa. Na outra semana, me encontrei com o pastor Eduardo, ele me contou todo o plano de salvação e me explicou muitas outras coisas. Durante essa conversa me dei conta do amor que Deus tem por nós, do tamanho sacrifício que Ele fez ao entregar o Seu filho por nós. Ele me amou de tal forma que entregou Seu filho unigênito por mim! Ele me ama como um filho! Então eu aceitei o convite de amor que Ele me fizera tantas e tantas vezes. Após entender o Amor, eu busquei pelo Pai, e não foi apenas pela salvação, mas por uma vida melhor, por ser adotado pelo maior Pai de todos. Então quis tê-Lo como Senhor em minha vida, pois sabia que essa seria a melhor escolha que eu poderia fazer. Nesse dia, passei a ver meu futuro com esperança, com paz, cheio de bençãos, cheio do mover de Deus, sabia que teria vida e vida em abundância.

Passei 8 anos me enganando, de agora em diante, nunca mais quero me enganar! Então oro sempre e muitas vezes por dia, pois sei que Ele quer se relacionar comigo. Sei que Ele quer me ajudar em tudo, nos menores e nos maiores detalhes da minha vida. Ele quer me ensinar, Ele quer que eu tenha fé cada vez maior, maior que um grão de mostarda. Sei que Ele quer que eu fale do evangelho com ousadia. Ele quer que eu expulse demônios e cure enfermos, Ele quer que eu tenha vida e vida em abundância junto com Ele. Ele me quer como filho, e eu O quero como pai.

Aquele que nasce no Espírito é espiritual, entende as cosias espirituais. Eu passei a ver a Verdade, eu passei a ver a realidade. Vi que o inimigo de nossas almas é muito esperto, muito cheio de mentiras e trapaças, conhece muitas coisas sobre todas as coisas, mas ele é um baita de um derrotado, pois em Cristo eu sou mais que vencedor! E mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, mesmo que o Inimigo se levante, ele já se levantará derrotado e eu não me darei por vencido, mesmo que o mundo se volte contra mim, mesmo que exércitos e potestades malignas se levantem contra mim, eu sou vencedor! Terei tudo de que precisarei, vencerei todas as lutas, pois o Senhor está comigo, o Senhor é meu pastor e nada me faltará. Eu estou com Ele e Ele está em mim. Sou templo de Deus, pois o Seu Espírito Santo habita em mim! A minha vida é d'Ele. Nada sou sem Ele, pois sou um mísero homem falho, imperfeito e pecador, mas tenho algo perfeito em mim, o Espírito Santo no meu coração e Jesus Cristo no controle!

Então, meu irmão? Vai ficar aí rateando? Deus sabia que eu só precisava de um susto, e tu? O que deverá acontecer contigo para que tu aceite Cristo? Venha pelo amor e não pela dor, não apenas pela salvação, mas pelas incontáveis bençãos diárias que tu terás se tu vieres para Cristo, de coração e com sinceridade.

Pelo amor.

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus. E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más. Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.” (João 3.16-21)

Pela dor.

“Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicadores, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte.” (Apocalipse 21.8)


Caro leitor,

Que Deus te abençoe te ilumine com a Verdade. Que assim seja, em Nome de Jesus.


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Testemunho para o livro Passos com Deus.


Nome: Israel Gonçalves de Oliveira. Nascimento: 20 de março de 1985.

Batismo: 1º de março de 2009.


sexta-feira, maio 08, 2009

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Um dia abençoado.

Como eu sempre digo: todo dia é dia de bênçãos! Glória a Deus por isso!
Muita coisa aconteceu entre agora e o último artigo meu, mas falo sobre isso em outra hora.

Quanto ao dia de hoje, 7 de maio de 2009.

Acordo as 7:30, mas só levanto da cama as 8:10, para ir dar aula numa escola de aulas de reforço.
Sabendo que seria aula de matemática para um aluno da quarta série, então pensei: bom, deve ser um guri baguncero, que nem eu! rsss ...estranhamente não tava empougado, ou não tava muito feliz hoje pela manhã, geralmente eu não acordo assim. Também preciso avisar que o meu dia anterior foi pegado, tive que fazer algumas coisas que Deus mandou, fiz e foi difícil! Mas foi pra Deus, e isso me satisfaz!

Interessante é que eu num tava dando nada para o dia, sabe quando tu acha q vai ter um dia meio morrinha, mas sem estress! Pois ontem antes de dormir consagrei o dia para o Pai, para que Ele desse um jeito em tudo! Em tudo mesmo! O dia era d'Ele!

Quando vejo, não era um guri baguncero, muito pelo contrário, era uma menina, 11 anos, baixnha neh, menos de um e cincoenta, coisa maaais amada do mundo! Super querida, super gentil, carismática, uma criatura encantadora. Lembro da secretária comentando: s'eu fosse mãe dela, caaapaiz q'eu deixaria ela andando pela rua sozinha! Então, eu nem deixaria sair de casa sozinha!

A aula foi muito divertida, e ela era boa em matemática, só tinha uma dificuldade com divisão, mas no mais, super esperta! Legal foi que consegui ensinar umas técnicas bem legais e, muito importante também, conversamos sobre errar, sobre ir bem ou mal, contei como eu era no colégio, o quanto q'eu bagunçava, ia mal e como dei a volta por cima. Pude dizer boas palavras para a menina, muitas vezes isso faz uma grande diferença, em alguns casos, o que a criança precisa é de alguém que a escute, a entenda, e possa dizer boas coisas, palavras de ânimo, acrescentar algo realmente útil.

Antes de ir embora, aconteceu algo muito legal. Eu que sempre distribuo abraço pra todos, fui surpreendido, quem tomou a iniciativa foi a menina, e me deu um mega abraço. Muitas vezes podemos sentir o Amor de Cristo através das pessoas, mas será que sabemos observar quando?

Cheguei em casa, faltando metade da manhã, fiz algumas coisas, li algumas noticias...

E assim foi a manhã desse dia.

A tarde, resolvi ir a pé para o colégio, foi uma ótima caminha, o dia tava muito lindo, quentinho e tinha um ventinho frio, ideal para dá uma caminhada.
Chegando no colégio, encontrei alguns alunos, antes de começar o reforço, fiquei brincando com um iTouch de uma aluna, bah! Que coisa mais divertida, cheio de coisa, e tem os lances de movimento, bah! Muito legal! E fizemos uns desenhos também.

Durante a aula de reforço, foi normal como nos outros reforços, não podemos nos divertir tanto, pois vem muitos alunos e não dá pra ficar ratiando, mas quando deu uma folga, bah! Sobraram as alunas mais locas do primeiro ano (tá, não são as mais, mas são top-doidas hahahahah), a Zimmer e a Ana, tinha que ver a Ana ficando doida com tanto exercícios de Física e consequentemente já tava delirando, tava um sarro! Coloco aqui uma das falas:
- O quê?!? Gelo a 200°C?!?!?! aaaaaaaaaaaahhh!!!
hahahaahahhahhaha
Muitas ridas, muita física, muito estudo, muita alegria... graças a Deus.
Uma tarde feliz, realmente!
Indo embora, encontrei uma colega, e fomos conversando até a parada do Iguatemi.

E assim foi a tarde desse dia.

Chegando na faculdade, fui para a sala e o assunto informal era evolucionismo, o meu professor não acredita no evolucionismo, o que é raridade no instituto de física. Foi bem divertido, uma conversa bem descontraída. Claro, como sempre, foi falado uma penca de blasfémias... o que não é novidade, a todo momento se escuta uma. Infelizmente.
Quando teve coro o suficiente, começa o seminário do Leo, e era sobre ondas, e o clima tava muito bom, muita descontração, muitas piadas, muitas risadas, muita física, nada de estudo!
Acabou a aula, fui na festa que tinha no DAEF, ver os colegas, aqueles que só ficam a noite quando tem festa. Matei a saudade e tudo, foi legal. Foi triste ver o pessoal todo se embebedando, uma pena.
Fui pro bar do Antônio (muito caro!), encontrei o pessoal que não foi na festa e curtimos o nosso recreio.
Quando eu achava que a cota de felicidade do dia tinha acabado, que nada! A aula foi um sarro! Tive uns dois ou três ataques de riso! Na seqüência:
Diomar fala para o professor, numa aula de termometria:
- Sor! Tu é uma "máquina térmica"
Bom, meia hora de risadas, comentários e deboches depois, o colega prosseguiu com a aula.
Outra: o colega foi aquecer a água e o professor fala:
- Olha alí o efeito "homi"...
Ele queria falar efeito Joule e não Hômico, mas na fala, se deu conta, pena q parou a fala no meio!
Bom, quinze mitos de risadas, comentários e deboches depois, o colega prosseguiu com a aula.
Outra: eu peguei o celular com câmera da Mirian e simulei o suicídio do celular dela, gravei ele indo a um penhasco, olhou para baixo, e se atirou, na queda, bateu num banco e depois no chão.
Quando eu vi o vídeo, não prestou! Mostrei para o Maycon... mais um ataque de risos.
Quando a Mirian enviar o vídeo para mim, eu coloco aqui.

Depois o Maycon me deu carona até em casa, fomos conversando sobre varias coisas, como sempre e sempre muito enriquecedora as nossas conversas. Amigos são bênçãos de Deus!

Cheguei em casa, a Zimmer solicitou um suporte on-line, pena q o msn tava estragado, mas só pra mim. Quando entrei, pude concluir o suporte que começou nos scraps. Relembramos a tarde e rimos mais um pouco. Como se já não tivesse rido o suficiente.
Conversei com umas outras pessoas, sobre boas notícias entre outras coisas.

E então decidi escrever esse post para relembrar desse dia. Se tu está lendo, que bom! Mas não o escrevi para ti, mas para mim, pois um dia tão especial deve ser lembrado, para que sempre procuremos ter dias melhores.

E assim foi a noite desse dia.

Agradeço a Deus pelo dia de hoje.
Louvado seja o Senhor por isso.
E peço, em Nome de Jesus, q'eu e tu tenhamos muitos dias abençoados assim. Amém!

segunda-feira, abril 14, 2008

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Sucesso e fracasso

Sucesso e fracasso, com qual aprendemos mais?


Por Israel Gonçalves de Oliveira.


Sou professor de matemática e física em uma escola de aulas de reforço. Nesse ambiente pude ajudar muitas crianças, adolescentes, adultos e idosos estudantes, universitários, pré-vestibulandos, candidatos a concursos públicos entre outros tantos. Nessas experiências tive de lidar com muitos obstáculos ao tentar ajudá-los a compreender melhor o conteúdo a ser estudado. Dentre esses obstáculos, os mais comuns são a falta de interesse, pouca base de conhecimento para o assunto, falta de domínio sobre o material didático. Entendemos que tais problemáticas são comuns a todos. Afirmo que todos temos as mesmas capacidades para fazer de tudo, a diferença é que uns as aproveitam mais que outros e assim vão desenvolvendo tais capacidades e, inerentemente, acabam por se destacar; e eis que surge o dito “dom”.

Após tantas conversas com alunos, colegas de trabalho e aula, amigos e reflexões sobre as problemáticas no ensino, concluo que há algo comum a todos: a maneira como lidar com o erro. O fracasso, tão evitado, tão escondido, tão mascarado... e o sucesso, tão exaltado, recompensado, invejado.

Por sofrem tantos fracassos, muitos se desanimam e se entregam a um comportamento conformista, querem o sucesso mas não lutam mais. Outros, lutam a todo custo e tratam o fracasso como uma punição, como o prêmio dos perdedores e dos desmerecedores de dignidade.

Há muitas maneiras de ver a mesma coisa... errar é vergonhoso? Errar é humano? Ser humano é vergonhoso? Claro que tal “lógica” não é plausível de discussão, mas certamente é algo para se pensar... como nós professores e pais estamos tratando o erro dos nossos alunos e filhos? Como lidar com o fracasso de nossos pupilos? Lidar como erro não é a forma mais segura de obter o sucesso? Cito um diálogo resumido que tive com uma aluna:


Assim que ela chegou a mim para começarmos a aula ela exclamou:


- Se eu não tirar dez estou rodada!!


Nisso eu já me preocupo, não com o fato dela estar quase rodando, mas com a qualidade do aprendizado dela na minha aula! Sabendo que quando estamos preocupado, nervosos ou estressados não conseguimos ter um aprendizado satisfatório. Ainda mais uma menina de uns 15 anos, que está sendo pressionada pelos pais, pelos colegas e que está tendo aulas particulares como a garantia dos pais da aprovação... um tanto apavorante. Então eu perguntei.


- Repetir de ano é ruim?

- Sim!

- Por quê?

- Áh, porque é vergonhoso, imagina o que os outros vão pensar? É horrível...

- Humm... entendo, é deveras complicado, sem falar que tem a pressão da família...

- Poisé...


Geralmente, nesses casos eu conto as minhas experiências para o aluno, tento mostrar que todos passam pela mesma coisa, todos nós temos momentos ruins e bons, mas nesse caso, acreditei que poderia abordar de uma forma diferente. Segui conversando:


- E tu já andou de bicicleta?

- Sim.

- Já caiu?

- Sim!

- Eu também, e já caí bastante...

- Quando caímos de bicicleta foi por causa de algum erro e apesar dos machucados, não desistimos de andar de bicicleta, e certamente aprendemos com o erro que cometemos, certo?

- Sim!

- Então, só aprendemos a andar de bicicleta quando caímos algumas vezes, aprendemos errando... aprender a andar de bicicleta é vergonhoso? Errar é vergonhoso?

- Certamente não.

- Por que tu estás quase “rodada”? Por que não estudou o suficiente?

Meio tímida ela responde:

- Sim...

- Mas como os teus colegas conseguiram e tu não? Eles não são melhores que tu. Talvez porque eles não deixaram para estudar na última hora, né?

- Sim... acabei deixando pra recuperar na ultima hora, daí complicou...

- Se tivesse buscado aprender o conteúdo desdo início do ano provavelmente já estaria passada, então concluímos que houve um erro, isso?

- Sim, errei em não ter adiantado as coisas desdo início...

- E certamente aprendemos alguma coisa...

- Sim. Começar a estudar já desdo início do ano para não chegar no final com notas ruins...

- Aprender é vergonhoso? Errar é vergonhoso?

- Não...


Nisso eu conversei com ela como foi quando eu rodei no colégio, contei que a família faz um verdadeiro terrorismo com as crianças, citarei algumas coisas que foram ditas para mim quando eu estava quase rodado em português e história na quarta série, eu tinha 10 anos: se tu rodar tu vai ser um vagabundo pro resto da vida, não vai conseguir emprego pois vai ser descriminado por ter rodado a quarta série, vai pegar a pior função do exército (não ia poder nem ser piloto nas forças aéreas), não ia conseguir entrar em uma faculdade, ia ficar de castigo por um ano, não ia ir para a praia nas férias (dentre todas essa era a pior!), ia apanhar etc. E no final das contas, eu acabei rodando e não aconteceu nada disso! Nessa hora o aluno sempre ri.


No final das contas a aluna ficou bem mais tranqüila e a aula rendeu... o meu objetivo principal que era deixar as coisas mais tranqüilas deu certo... e o que eu disse, será que fez diferença após aquela aula? Temos sempre que nos preocupar com o que falamos para os alunos, para os filhos ou qualquer outra pessoa, nunca sabemos o quão benéfico ou maléfica será a nossa palavra.


Quando vou ensinar a resolver um exercício de física, principalmente, eu converso com o aluno sobre o que o exercício propõem, pergunto para ele o que ele pode extrair de informações do exercícios e assim resolvemos com o que sabemos. Nesse processo, eu cometo vários erros (alguns não propositais) e é nesses erros que mais nos esforçamos em buscar o entendimento pleno sobre o conhecimento exigido pelo exercício. É com erros que exploramos a fundo os conceitos físicos, pois há várias formas de chegar no mesmo resultado, se erramos em uma das lógicas, sempre podemos conferir com outra, sempre temos como verificar e entender as possibilidades de erro. O mais importante ao estudar não é acertar todos os exercícios mas errar o bastante para não errar na prova. Antes errar estudando em casa do que errar na prova, disso ninguém nega.


Parece complicado, mas no final das contas, fica mais fácil e tranqüilo ensinar quando se usa muito o erro. Quando erramos tentamos instintivamente buscar outras soluções, além de entender o assunto temos que entender o porque do erro E sabendo que temos a possibilidade de errar e esperando o erro, o desenvolver do assunto fica mais claro e enriquecido.


Entendo que o sucesso é o resultado de sucessivos fracassos, é como lidamos nos nossos erros que tiramos o aprendizado para chegar ao sucesso. É errando muitos exercícios de física ou de matemática estudando que se acertas muitos na prova. Entendo que mais importante que evitar o erro é como lidar com o erro. O que fazemos após errarmos? Todos estamos sujeitos ao erro, então não seria melhor nos tornarmos mais capazes em lidar com erros do que hábeis em não errar? Talvez seria mais fácil, mais benéfico... mais humano. Aquele que está calejado de tanto errar segue firme e forte, aquele que nunca errou sofrerá no primeiro erro.


Não podemos negar que a sociedade prega que o sucesso é o alvo principal, é o que todos querem e devem conseguir e o fracasso é extremamente mal visto, poucos querem estar do lado dos que fracassam, poucos querem ajudar quem erra, ninguém quer dar a mão aquele que cai... mal sabem que esses possuem a glória de chorar e aprender e com sabedoria tornar-se-ão mais fortes...




domingo, março 23, 2008

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Adolescente na universidade.

Pesquisei sobre o seguinte assunto: adolescente na universiadade.

Pesquisando encontrei dois bons artigos sobre adolescente e jovens na universidade, esses são:
1. Perfil socioeconômico, nutricional e de saúde de adolescentes recém-ingressos em uma universidade pública, de Valéria C. R. Vieira, Sílvia E. Priore, Sônia M. R. Ribeiro, Sylvia do C. C. Franceschini e Laerte P. Almeida.
2. Intenções reprodutivas e práticas de regulação da facundidade entre universitários, de Kátia C. M. Pirotta e Néia Schor.

O segundo texto é interessante para fornecer uma idéia sobre o quanto os jovens universitários se preocupam com a independência financeira e intelectual, adiando o casamento e a paternidade. Em ambos os sexo se vê tal comportamento, por exemplo, a média de idade para ter o primeiro filho é aos trinta anos, tanto para o grupo masculino como para o feminino.
Também vemos que a probabilidade de ter gravidez não planejada é muito maior entre os adolescentes de menos grau de instrução do que entre os adolescentes universitários.
Além de dados socioeconômicos o artigo mostra dados socioculturais, os quais estão intimamente ligados.

Quanto ao primeiro texto, podemos tirar informações muito importantes a serem discutidas entre os joves de qualquer universidade, tanto pública como particular. Tais assuntos são: a rápida mudança na rotina, no estilo de vida, estresse físico e mental, alimentação entre outros.

Trabalho: poucos adolescente exercem atividades remuneradas e os que exercem, em geral, são atividades eventuais e sem vínculo empregatício. E isso não é difícil de se ver. Basta ver quantos bolsistas temos em atividade na universidade, quantas são as bolsas trabalho e pesquisa. Quantos fazem estágios. Raros são financeiramente estáveis.

Estresse: geralmente por deficiência do nível médio de educação ou por outros motivos, em geral os adolescentes recém-ingressos na universidade passam por séries dificuldades no primeiro semestre. Se vêem frente a desafios e cobranças sem um orientador, sem um \"roteiro\". Não há professores dizendo o que e como o jovem deve estudar, ele deve se virar e ir atrás do conhecimento necessário para as avaliações. Esse é o período mais marcante, no qual eles se deparam com a tão querida independência intelectual e se assustam por ela ser de uma certa forma \"cruel\". Nesse período se observa que os que conseguem \"vencer\" esse processo sigam no curso e os que não conseguem lidar com tamanho desafio desistem da universidade ou trocam de curso. O interessante é que, geralmente, com o tempo esses voltam a universidade e conseguem exito.

Atividades: nota-se uma diminuição na prática de esportes e um dos motivos mais alegados é que falta tempo; não poderia ser diferente, pois um curso de nível superior geralmente toma muito tempo em estudos. Com a facilidade em consumir bebidas alcoólicas, o consumo desses aumenta muito e muitos que não bebiam passam a beber.

Alimentação: com tantas atividades diversas, os universitários tendem a se alimentar mal, passam a ter apenas duas ou uma refeição completa diária e passam a se alimentar mais freqüentemente de lanches rápidos. Passam a consumir menos, contudo a quantidade de ingestão de doces e gorduras é maior. Segundo dados da pesquisa: mais de 50% estão com sobrepeso. Mesmo que a maioria esteja preocupada com a saúde, esses não se cuidam o suficiente para ter uma vida saudável.

Em suma: a qualidade de vida do adolescente recém-ingresso na universidade fica comprometida, não porque o próprio indivíduo faz essa escolha, mas por ainda não saber lidar com a rotina nova, com as novidades e as novas necessidades. Criando um grande grupo de risco de doenças relacionadas ao estresse e a má alimentação.

E me pergunto: não há serviços de orientação educacional, nutricional, sexual etc para os jovens recém-ingressos nas universidades? Se têm, como é feito para chegar ao jovem, conquistá-lo e tê-lo como participante e interessado em melhorar o próprio bem-estar?

Muitos entram despreparados na universidade e muitos bons profissionais se perdem por não terem alguém para os orientá-los no começo da carreira.


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Entenda-se

Pensando a respeito das teorias que falam sobre id, ego e superego, chego a conclusão que estamos em constantes conflitos internos, sempre procurando a satisfação de todos, não plena, mas equilibrada, o suficiente para "não termos problemas". Para isso procurarmos formas de satisfazer todos, mesmo que de forma "enganosa", mesmo que o ego "fala ou mostra ao id e ao superego o que eles querem ouvir e ver".

Poder se "enganar" para satisfazer algum anseio, poder tornar algo mais fácil, resolver algum conflito interno é um recurso muito útil quando a pessoa se conhece e sabe como "lidar" com o seu eu.

E uma forma de se entender é entender os outros... o que fazemos naturalmente quando crianças, tentamos novamente na adolescência, por vezes sem muito sucesso ou tardio, e o praticamos na faze adulta. Realmente vencemos a faze do espelho?

E as pessoas ditas "frias", "calculistas", teriam um ego muito forte, tão que vence e sufoca o id e super controla o superego?

Por vezes me pego pensando a respeito da forma como somos educados, como em geral os pais tratam os filhos desde pequenos até a saída de casa... obviamente concluo que todos que querem ser pais deve estudar sobre psicologia infantil e adolescente, mas, mesmo assim, por que, em geral, temos adultos "saudáveis" mesmo que nossos pais não entendam nada de psicologia? Sei que não é difícil encontrar alguém que nunca teve algum trauma quando crianças, mas em geral as pessoas vencem certos problemas e conseguem, de uma forma ou de outra, se tornarem adultos saudáveis. Muitas vezes por ter de enfrentar os diversos problemas da vida, e isso não é o que nos torna fortes? Não é com os erros que e aprendemos? Não é com a necessidade que nos tornamos capazes?

Não seria com a vitória sobre os conflitos internos e externos que nos tornamos mais experiências e fortes?

Concluo, então, que o fracasso é tão importante quanto o sucesso. Com qual aprendemos mais?
Tive um interessante diálogo com uma aluna prestes a repetir de ano:

Aluna: Não posso rodar! É vergonhoso!
Eu: Já andou de bicicleta?
Aluna: Sim!
Eu: Já caiu?
Aluna: Sim!
Eu: Tu caiu porque tu errou algo, né?
Aluna: Sim...
Eu: Caindo, aprendeu como não cair... pelo menos daquela forma e nem deixou de andar de bicicleta, né? Nem pensou em abandonar o esporte, certo?
Aluna: Aprendi! Caí algumas vezes até aprender a andar direito!
Eu: Valeu a pena?
Aluna: Muito!
Eu: Tu está indo mal no colégio porque não estudou quando tinha de estudar, isso?
Aluna: Sim...
Eu: Tu teve algum problema que a impediu ou apenas não se dedicou, mesmo dispondo de tempo e oportunidade?
Aluna: Tive tempo e tive oportunidade, mas não aproveitei...
Eu: Então tu errou?
Aluna: Sim...
Eu: Errar é vergonhoso?
Aluna: Sim...
Eu: Aprender a andar de bicicleta é vergonho?
Aluna: hummmm... não...
Eu: Errar é vergonhoso?
Aluna: hummmmmm..... não...
Eu: E, então, tu já sabe como proceder com os estudos no ano que vem, certo?
Aluna: Sim! Estudar desde o começo para facilitar as coisas...
Eu: Repetir de ano é vergonhoso? Tu não aprendeu um monte de coisa valiosa sobre estudo nessa oportunidade?
Aluna: Na real não é. Aprendi. Errei mas aprendi!
Eu: Vai ajudar tu ficar se chateado com o fato de repetir de ano?
Aluna: Não...
...

Também contei para ela sobre minha experiência em repetir e ano:
Toda a família aterroriza! Vai acabar o mundo! Vai ser castigado! Vai ficar um ano de castigo! Não vai receber mesada, nem presentes, nem poder sair, nem ir para praia nas férias! Não vai conseguir entrar em uma universidade! Não vai conseguir emprego! Vai pegar o pior trabalho no exército! Vai ser um derrotado! Quando procurar emprego vão ver que repetiu na quarta série e não vão dar emprego!

Pois é, eu rodei e não aconteceu nada disso... hahahaahhaah!

Em geral os alunos se identificam som isso, os pais deles também aterrorizam assim e eles acham muita graça junto.

Conto isso a eles para que eles fiquem mais tranqüilos para que a aula tenha um bom aproveitamento. Quando o jovem tá apavorado a aula não rende nada!

A idéia que queria passar para a aluna é que o mais importante, então, não é evitar o fracasso, mas o que fazer quando se fracassa. E que errar faz parte do processo. Não adianta se desesperar, não adianta chorar pelo leite que foi ao chão, mas o importante é limpar o chão e dar jeito de conseguir mais leite!

Contudo vemos que quase todos a nossa volta pregam que o idéia é o pleno sucesso em tudo. Pais, parentes, amigos, colegas, professores, em geral, pregam apenas o sucesso e compartilham só os casos de exito.
Vivemos numa sociedade que pouco entende que errar faz parte do processo. E poucos entendem que aquele que mais teme em errar é o que mais erra.
Mas temos que entender que para termos sucesso em algo passamos por muitos erros! Passar em calculo (ou qualquer disciplina de ciências exatas), por exemplo, requer muitos erros até que se entenda e aprenda a fazer as contas de forma certa.

Se não temos medo de errar e entendemos que o erro é algo inerente a nossa evolução, com certeza seremos mais capazes de tirar muito proveito dos nossos erros e dos erros de outros.

Um exemplo simples: por que para algumas pessoas é tão difícil pedir desculpas?

sexta-feira, março 07, 2008

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20 de Março

_O quê é o dia de aniversário? Um dia para os amigos dizerem boas palavras? Todos os dias são para se dizer boas palavras!
_Um dia para dizer que ama? Todos os dias são para dizer o que sentimos uns pelos outros! Um dia para dar um abraço, um carinho, fazer qualquer tipo de agrado? Todos os dias são ideais pra isso!
_Um dia para sair, encontrar amigos, família, festejar? Todos os dias são dias de festa! Por que um dia especial? Todos os dias devem ser especiais! O dia de aniversário é só um dia dentre outros 364 (365 para anos bissextos).
_Um presente, um carinho, a atenção devem ser dados quando sentimos no coração de dá-los e não pela simples coincidência de nascermos exatamente (ou quase, para os de 29 de fevereiro) na data do nosso aniversário.
_Parabéns pelo quê? Por existir? Se é por isso, não é a mim que devem ser dados os parabéns! Por eu ter passado mais um ano vivo? O IDH de Porto Alegre é alto, estatisticamente eu não morrerei antes dos 70!
_Feliz aniversário? Parabéns para mim, nessa data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida!
_Que Deus abençoe a mim, a minha família toda, os quais estão comigo desde sempre, os meus amigos, colegas de trabalho, de estudo, de pesquisa, com os quais aprendi e aprendo muito, os meus alunos, os quais me dão muita alegria, os meus inimigos, que Deus lhes mostre a compaixão e a compreensão, a todos os que estão diretamente e indiretamente em minha caminhada. Que assim seja em o nome do Sr. Jesus.

domingo, maio 27, 2007

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Maquinaria Escolar.

Resenha do texto Maquinaria Escolar

__ O texto quer mostrar a “outra face” das instituições de ensino. Expõe os interesses políticos e religiosos que, durante toda a formação dessas instituições, moldaram as relações culturais e tornaram tais instituições possíveis. Mostra a formação dos agentes dessas instituções (educandos, mestres etc.) e como os são conforme interesses tais. Também mostra o nascer da “infância” e como se deu esse processo.
__ Em, praticamente, todos os assuntos abordados no texto, há duras críticas. O leitor se depara com afirmações diretas e agressivas, sempre evidenciando os reais interesses da elite no poder em cada ato, cada fato. Críticas diretas às instituições de ensino e suas características; tais críticas sempre relacionadas a interesses políticos e religiosos (a Igreja).

__ O texto é constituído de introdução e cinco subtítulos. Na introdução, os autores situam o leitor no assunto: comentam sobre a conjuntura social moderna (hoje) e, sobre um dos pilares dessa, a educação e suas instituições.
__ Em Definição do estatuto da infância os autores relacionam, ao mesmo tempo que mostram o processos de evolução das diferentes instituições e pensamentos sobre a infância, a formação dos conceitos sobre ensino de jovens com as intenções (os interesses) políticos e religiosos (das igrejas protestante e católica). Mostram as primeiras idéias sobre o tratamento de jovens, crinças e pedagogia, a maneira como eram tratadas e como era passado o “conhecimento da vida”, de forma direta e como que isso foi, aos poucos, sendo substituido pelas instituições de enclausuramento. Mostram as diferênças entre a educação direcionada para cada classe social e o porque dessa diferenciação; sempre acompanhadas de críticas. Comentam sobre nomes importantes da História os quais contribuíram para a construção da pedagogia, como Erasmo, Vives, Rabelais, Ariès, entre outros; com destaque ao Phelippe Ariès.
__ Em Emergência de um dispositivo institucional o espaço fechado é falado sobre quarentena física e moral, a qual mudou consideravelmente a relação dos adultos com as crianças e jovens, separou-os do contato direto e da antiga forma de aprendizagem. O enclausuramento se deu graças a criação de colégios, escolas (internatos, conventos, albergues, entre outros). Por meio desses se pode tutelar melhor a evolução dos jovens, pode-se vigiá-los melhor e, assim, garantir que sejam bons cristãos e obidientes súditos. Os autores mostram as estruturas dessas quarentenas físicas e morais e como era a separação dos indivíduos. Mostram as formas de instrução do jovem e quais são os propósitos relacionados, a destinação de cada indivíduo cujo desempenho escolar e habilidades determinava sua profissão (eram designados para serviços militares, ofícios, ciências etc).
__ Em Formação de um corpo de especialistas os autores criticam a estratégia com que a elite dominante dirigia a formação dos educandos (professores, mestres etc): falam sobre a escolha do indivíduo conforme sua posição social, o forma conforme interesses próprios fazendo uso da própria ambição deles. Em troca da “manutenção” da dominação e do poder da Igreja e do governo que tais professores fazem é dado a eles uma posição simbólica, como se fossem sacerdotes, serão revestidos de autoridade, dignidade e respeito; como criticado pelos autores: falsas imagens. Criticam as técnicas ensinadas aos professores (nas Escolas Normais), é passado à esses educandos formas de domesticação, métodos para condicionar e manter a ordem, recebem uma “cartilha” moral e social para o adestramento dos futuros adultos.
__ Em Destruição de outras formas de socialização é criticado a forma como as instituições de ensino destratam a cultura, os saberes, a identidade nativa do indivíduo; ao entrar na quarentena física e moral o indivíduo se vê obrigado a abandonar o legado cultural de sua origem para que possa se enquadrar nas novas regras, no novo meio social ao qual será condicionado e aquele que não o consegue é considerado culpado por essa deficiência. Com o evoluir dessas instituições, a aprendizagem foi cada vez mais separada do seio cultural do indivíduo, separado da família, a qual entrega seu filho em troca da promessa de que nele será incurtido os bons costumes e virtuosidades presente no ideal de um cristão. Nessa parte do texto, em especial, verifica-se as causas do nascer da infância.
__ Em Instituição da escola obrigatória e cotnrole social os autores mostram a evolução dessas instituições de ensino frente as novas necessidades sociais. Mostra essa evolução como uma das manobras necessárias para a manutenção do poder pelas elites. Criticam, sobre tudo, a forma de tratamento de novas classes sociais, em especial a dos operários. É citado inúmeras ações por parte da elite governadora entre elas, além das que se referem à educação, relacionadas à higiene, moradia, assistências etc. Nessa parte do texto os autores criticam a escola e sua forma, dando-lhe o nome Maquinaria Escolar, na qual a grande massa das classes menos privilegiados será civilizada, condicionada a viver em sociedade e reproduzir para a próxima geração os ensinamentos e costumes interessantes à elite. Destaco em especial o último parágrafo no qual é feita uma reflexão sobre o direito a educação e a justificativa da existência da Maquinaria Escolar baseado nesse direito.

__ Sem dúvidas esse texto fornece uma ótima base para reflexão sobre as instituições de ensino atuais, fornece ao leitor uma base histórica e a relaciona entre os assuntos do texto sem perder a linha cronológica, mesmo fazendo inúmeros saltos temporais. É utilizada uma linguagem bastante técnica e, devido aos saltos temporais, pode dificultar o acompanhamento do texto pelo leitor; já a segunda leitura é feita com mais tranqüilidade e dinamismo, pois o leitor já está com as idéias agrupadas podendo acompanhar sem problemas as análises e descrições ricas dos assuntos no texto.
__ O texto oferece um ponto de vista agressivo, em partes com radicalismo, e sempre justificado com bons argumentos; tão agressivo que quase não é dado espaço para outra análise, outro ponto de vista, não fornece liberdade alguma para o leitor se colocar na época na qual os processos acontecem. O texto pecou em não fornecer um ponto de vista do outro lado, não leva em consideração que os mesmo que implementaram tal maquinaria são filhos dessa ou de instituições predecessoras; e, como se espera, não seria diferente a forma como esses continuarão o legado dessas instituições. O texto também não fornece uma análise de como seria sem esses processos de manobra de massas (como, pelos autores, caracterizados). Tais discursos são semelhantes aos discursos utópicos sobre sociedades perfeitas (assim como em Utopia*), nos quais é comparado as situações atuais às idealizações.
__ Por fim, a leitura desse texto é recomendado para todos os envolvidos com ensino, seja professores, administradores da educação, alunos etc., fornece uma visão crítica e interessante que possibilitará um entendimento alternativo sobre as instituições de ensino de hoje.

Escrito por mim no dia 6 de maio de 2007.

*A Utopia ou O Tratado da Melhor Forma de Governo. Morus, Sir Tomás.

Maquinaria Escolar: VARELA, Julia ; ALVAREZ-URIA, Fernando. A maquinaria escolar. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 6, p. 68-96, 1996.

Resenha para a cadeira de História da Educação: Hist. da escolarização brasileira e processos pedagógicos,
Profª Estela Carvalho Benevenuto - Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Podes encontrar uma cópia do texto no site http://portal25.com/ufrgs em "arquivos 07".